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01 / IDENTIDADE E ORIGEM

Nasirutha

O Caminho, a Verdade, a Vida, o Bem e o Belo.

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Introdução

A Nasirutha não é apenas um ensinamento, mas O Caminho de restauração da consciência humana, uma tradição viva que resgata aquilo que Jesus ensinou antes das distorções religiosas posteriores, devolvendo ao ser humano a sua dignidade original como Filho e Filha de Deus. Trata-se de um chamado à vida plena, à justiça, à Verdade interior e à manifestação concreta do Reino de Deus entre os homens.

Origem Etimológica

A palavra Nasirutha, em aramaico, significa “preservação”, “guarda fiel” ou ainda “Tradição dos Mistérios”. Ela expressa o compromisso de revelar o que estava oculto, conduzindo o ser humano do desconhecimento para a consciência plena de Filho e Filha de Deus.

Aquele que vive e manifesta essa tradição é chamado Nasareno (Nasraya / Nasaria): não apenas alguém de um lugar, mas alguém que preserva, vive e transmite os Mistérios do Reino revelados por Jesus.

O que é o Ser Humano segundo a Nasirutha

Para a Nasirutha, todo ser humano (filho e filha de Adão) é, em sua essência, Mushlama: completo, íntegro, perfeito. Era exatamente desta forma que via Jesus aos seus irmãos e irmãs judeus, filhos de Abrahão. E ele mesmo admitia que era a fé deles mesmos que os curavam e não por ele mesmo.

O ser humano nasce isento de pecado, doença, morte e de qualquer outra imagem de sofrimento. Esses estados não pertencem à Natureza Divina do homem, mas são atraídos pela alma (mente) quando ela se afasta da Verdade da Vida.

Ao transformar a mente, o corpo também se transforma. O sofrimento não é um destino, mas uma ilusão produzida pela consciência distorcida.

Vivemos em um mundo que constantemente alimenta a alma com medo, tragédia, escassez e morte; sobretudo por meio da mídia e de estruturas opressoras. Isso gera identificação com o negativo e o atrai para a própria vida.

Ser Nasareno é retornar ao estado Mushlama, afirmando com consciência:

“Sou Filho/Filha de Deus, isento de pecado, doença e morte e de qualquer outra imagem de sofrimento.”

Quando essa Verdade é assumida, o sofrimento retorna ao seu nada original, pois nunca pertenceu à Essência Humana.

Os Cinco Pilares da Nasirutha

1. SEDAKAH

Sedakah significa “justiça social”. Amor sem justiça é paixão, ou seja, é falso; Sedakah é o verdadeiro amor em ação.

Todo Nasareno participa da expansão do Reino de Deus por meio da justiça-social. Diferentemente das instituições religiosas que exigem o dízimo (prática ligada ao antigo Templo de Jerusalém, hoje inexistente) Jesus instituiu a Sedakah como princípio permanente.

Na Nasirutha, a Sedakah é a contribuição mensal de 3% dos ganhos, não como caridade opcional, mas como dever espiritual.

Sedakah não é esmola, muito menos caridade: é devolver ao outro aquilo que lhe foi tomado por um mundo injusto. Ela purifica nossa relação com o dinheiro, combate o egoísmo, reduz desigualdades, mantém a equanimidade e nos lembra que toda riqueza pertence a Deus.

A Sedakah é entregue ao rabino da comunidade, assim como nos tempos apostólicos, para ser administrada em favor dos pobres, necessitados, recém-convertidos em dificuldade financeira, endividados, manutenção comunitária e auxílio a viajantes e exilados. Como está escrito:

“E da multidão dos que criam era um o coração e a alma; e ninguém dizia ser sua coisa alguma do que possuía, mas todas as coisas lhes eram comuns... Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas as vendiam, e traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos; e era repartido a cada um, segundo a necessidade de cada qual.” (Atos 4:32,35)

Na Nasirutha, a Sedakah é de 3% porque Jesus aboliu o tributo do Templo e instituiu a justiça do Reino. Três por cento não é imposto, é testemunho; não é sacrifício, é fidelidade; não oprime o pobre, nem absolve o rico. É a medida mínima da consciência desperta.

O dízimo (10%) está intrinsecamente ligado ao Templo de Jerusalém, ao sistema levítico-sacerdotal e aos sacrifícios: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro…” (Ml 3,10) Com a destruição do Templo (70 d.C.), o dízimo perde sua base jurídica.

Jesus jamais ordena o dízimo aos seus discípulos. Em vez disso, Ele ordena:

“Ai de vós… que dais o dízimo da hortelã… e desprezais a justiça (Sedakah) e a misericórdia (caridade).” (Mt 23,23)

Ou seja: Jesus desloca o centro do culto do Templo para a vida. A Sedakah nasce nesse deslocamento.

Ao Nasareno não convém controlar o destino da Sedakah. Quem a retém ou a instrumentaliza em suas mãos, participa da corrupção dos tiranos.

2. TEFILAH

Tefilah significa “oração”, mas não como mera recitação: oração é alinhamento do coração diante de Deus. Na Nasirutha, praticamos o Parishatha (“Espalhar o Reino”) em momentos determinados. Nele são integrados:

  1. Mah Tovu (Quão belas);
  2. O Pai Nosso;
  3. O Shemá Israel;
  4. A Keriá (leitura da Torah);
  5. A meditação de ascensão e descida na Árvore da Vida;
  6. Fechamento do corpo;
  7. A leitura da Surah Peninah, para elevação espiritual.

A oração também inclui intercessão pelos enfermos, pelos que perseguem, pelos aflitos e necessitados.

Além disso, toda a comunidade se reúne no Zikaron Shabat, o memorial sagrado do descanso e da Presença Divina, para lembrarmos o princípio Divino da Comensalidade (Akhiluta d-achiduta).

3. TOV SHEM

Tov Shem significa “bom nome” e representa viver, dentro e fora da comunidade, aquilo que se crê.

A Torah do Reino é vivida no lar, na sociedade, no trabalho e nas relações humanas:

Não desejas ser traído? Não traias.
Não desejas ser humilhado? Não humilhes.
Não desejas que cobicem o que é teu? Não cobices o que é do outro.

Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei assim a eles. Esta é a Torah pronunciada pela Boca de Deus, na qual se resumem todos os mandamentos e profecias.

Tov Shem sustenta a ética do Reino, preserva a honra comunitária e se manifesta também no anúncio da Boa-Nova do Reino, por meio da meditação nas Parashiot semanais e da internalização da Torah do Messias, o Evangelho Único.

4. SUR MERÁ

Sur Merá significa “afastar-se do mal”, não de forma passiva, mas ativa e consciente. É recusar-se a negociar com a injustiça, romper com sistemas, hábitos e estruturas que oprimem os mais fracos.

Quem conhece o mal e permanece nele torna-se cúmplice. Não se deve espiritualizar a opressão, o abuso ou qualquer forma de jugo.

Sur Merá é caminhar como discípulo de Aharão: amando a paz, buscando a paz, amando as pessoas e ofertando-as à Torah como uma verdadeira oferta aceitável a Deus.

5. TESHUVAH

Embora seja apresentado como o quinto pilar, Teshuvah é, na verdade, o primeiro passo do Nasareno. Teshuvah significa “retorno”.

Retorno à casa do Pai, como o filho pródigo, recuperando todas as bênçãos que pertencem a um Filho e Filha de Deus.

Aqui ocorre a primeira Sahduta (o testemunho de fé). O Nasareno deve retornar continuamente sua consciência ao Reino do Caminho, da Verdade, da Vida, do Bem e do Belo.

A missão do ser humano na Terra é manifestar o Reino de Deus entre os homens, libertando-os da ilusão de pecado, da doença, da morte e de todo sofrimento.

Este é o caminho da Nasirutha.
Um caminho antigo e eterno, preservado e agora revelado.

Torna-te hoje mesmo Nasareno ou Nasarena.
O Reino de Deus aguarda a tua manifestação.

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